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   1 / 26
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Identificação

Referência:
BR CB AS
Denominação:
Almeida Salles
Datas-Limite:
1838 a 1996
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Pessoal
Gênero:
Textual / Iconográfico
Dimensão:
Cerca de 50.000 documentos

Contextualização

Produtor:
Francisco Luiz de Almeida Salles (1912 - 1996)
Histórico do produtor:
Advogado, professor e crítico de cinema. Nasce em 1912, em Jundiaí. Desde cedo, interessa-se por cinema, acompanhando filmes e seriados em um pequeno cinema chamado Rink, montado por seu pai na cidade. Em 1927, muda-se para São Paulo, onde estuda no Grupo Escolar do Belém e, posteriormente, no Ginásio do Estado no Parque Pedro II. No final da década de 1920, inicia sua vida religiosa junto à Congregação Mariana de Santa Cecília. Forma-se, em 1938, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. O interesse pela poesia e a atuação como poeta começam na juventude, ainda no período em que cursa o Ginásio do Estado, e avançam até o final da vida. Essa produção poética está reunida no livro Espelho da sedução, publicado em 1979. A participação na Revolução Constitucionalista de 1932, integrando o Batalhão Rio Grande do Norte, que atua na frente de Eleutério, Minas Gerais, inaugura suas atividades no campo da política. Entre as décadas de 1930 e 1940, participa também da Ação Integralista Brasileira, da União de Resistência Nacional e do Partido Social Democrático. Em 1939, passa a trabalhar como advogado ao lado de Antônio Salem, na Rua Direita. A convite de Gofredo da Silva Telles ingressa no serviço público, como redator, e posteriormente advogado, procurador e, por fim, assessor jurídico. É assessor do governador Adhemar de Barros, em 1964, e do governador Roberto Costa de Abreu Sodré, entre 1966 e 1970, colaborando na criação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo - MIS/SP (1970). Após a aposentadoria por idade, formalizada em 1982, mantém contato e atividades junto à Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo. De 1983 a 1984, durante o governo de André Franco Montoro, é assessor cultural de João Pacheco Chaves, então Secretário Estadual de Cultura. A carreira de crítico de cinema tem início em 1941, ao contribuir nos primeiros números da revista Clima. A partir de 1943 passa a trabalhar no Diário de S. Paulo e, nas duas décadas seguintes, no jornal O Estado de S. Paulo (1950-1962 e 1964-1965). Parte de suas críticas está publicada no livro Cinema e verdade, de 1988. De grande formação literária, torna-se um crítico exigente, chegando a defender posições bastante radicais contra filmes que considera de puro entretenimento. Tem participação ativa no grupo de intelectuais que produz a efervescência cultural e política na década de 1940, discutindo tendências na filosofia e na arte. Mas é um dos poucos que se interessa pelo cinema, ao lado de Paulo Emilio Salles Gomes. Do grupo Clima surge a iniciativa de criar o primeiro Clube de Cinema de São Paulo que funciona até 1941, quando é fechado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo. Em 1946, funda o segundo Clube de Cinema ao lado de Rubem Biáfora, Múcio Porphyrio Ferreira, João de Araújo Nabuco e Lourival Gomes Machado. Almeida Salles preside a primeira diretoria do Clube que daria origem em 1949 à Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo que, por sua vez, é substituída em 1956 pela sociedade civil Cinemateca Brasileira. É um dos organizadores do I Festival Internacional de Cinema do Brasil em 1954, evento fundamental para a Filmoteca ingressar no quadro das jovens cinematecas do mundo. Participa de diversos festivais nacionais, europeus e sul-americanos, como membro do júri ou das delegações do governo brasileiro. Entre os eventos, destacam-se o Festival de Cannes de 1953 e o Festival de Berlim de 1961. É delegado da comissão brasileira, na Conferência Geral da Unesco em 1956, na Índia; membro do júri do Prêmio Saci, em 1956, e do Prêmio Governador do Estado, em 1969. Atua como adido cultural da Embaixada do Brasil em Paris, de 1962 a 1964. No âmbito das relações entre cinema e Estado, integra as Comissões de Cinema Municipal e Estadual de São Paulo, ambas de 1955, e Federal, em 1956. Como professor, leciona Literatura e Cinema no Ginásio São Bento (1942-1944); Teoria do Cinema na Filmoteca de São Paulo (1949-1955), no Curso para Dirigentes de Cineclubes da Cinemateca Brasileira (1958), no Curso de Educadores Sociais do SESC (1966) e na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP. No final da década de 1960 ministra Curso Monográfico sobre Jean Epstein (1953), em São Paulo; Curso sobre René Clair, em Brasília (1961); e a disciplina Cinema Brasileiro, no curso de Jornalismo da Editora Abril (1968). Sua participação como membro de diferentes instituições culturais é intensa: Clube de Cinema de São Paulo, Cinemateca Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo e Museu da Imagem e do Som. Por muito tempo é presidente da Sociedade Amigos do MAM, em cujo "barzinho" se aproxima de poetas e artistas plásticos. É chamado de "Presidente" pelos amigos, por ter sido, em várias gestões, presidente da Cinemateca Brasileira e líder de importantes iniciativas culturais. Francisco Luiz de Almeida Salles falece em 1996.
Histórico do arquivo:
O arquivo foi recolhido à Cinemateca Brasileira logo após o falecimento de seu titular em 1996, graças à intervenção junto à família de seu grande amigo Rudá de Andrade. Sem qualquer organização preliminar, consistia em cerca de 300 caixas de papelão, malas e pastas envelhecidas. Com a mudança das instalações do Centro de Documentação e Pesquisa em 2002, este arquivo foi higienizado, classificado sumariamente. Em 2005, foi aprovado um auxílio com duração de seis meses para o tratamento, proveniente da ADAI - Ayuda al Desarrollo de los Archivos Iberoamericanos, do Ministério da Cultura da Espanha, através do Conselho Nacional de Arquivos. Durante o referido semestre, foi realizado um estudo mais detalhado da biografia de Almeida Salles, com vistas à contextualização dos documentos. Em 2007, foram revisados o acondicionamento e o quadro de arranjo, paralelamente à criação de um instrumento de pesquisa.
Procedência:
Doado pela família à Cinemateca Brasileira, através de Rudá de Andrade, em 1996.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
Referentes à sua vida escolar, ginasial e universitária, há cadernos de anotações, certificados e discursos. Como registro de sua atuação na Procuradoria do Estado (1939-1982), estão presentes discursos, anotações jurídicas, projetos de lei, título de nomeação e certidão de trabalhos prestados. A sua vasta produção intelectual na área cultural (cinema, artes plásticas, literatura e filosofia) está representada, entre outros documentos, por cadernos de anotações, discursos em eventos, críticas de filmes, ensaios, textos de palestras, poemas, catálogos de exposição, contos, anotações de estudo e dossiês de importantes instituições culturais de São Paulo, das quais Almeida Salles é membro. Especificamente sobre cinema, destaque para diversos dossiês de festivais nacionais e estrangeiros dos quais o titular participa, artigos publicados na grande imprensa, programas de cursos ministrados e dossiê sobre atuação na Cinemateca Brasileira. Integram também o arquivo, documentos relativos às suas viagens turísticas pela Europa e Ásia, bem como à sua vida familiar, religiosa e política.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Parcialmente organizado
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Inventário

Acesso:
AAS



   2 / 26
seleciona
Identificação

Referência:
BR CB AD
Denominação:
Anselmo Duarte
Datas-Limite:
1958 a 1998
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Pessoal
Gênero:
Textual
Dimensão:
Cerca de 1.000 documentos

Contextualização

Produtor:
Anselmo Duarte Bento (1920 - 2009)
Histórico do produtor:
Ator, diretor e roteirista. Nasce a 21 de agosto de 1920, na cidade de Salto, interior paulista. Em 1934, muda-se para São Paulo e passa a trabalhar como datilógrafo em um escritório de contabilidade e, posteriormente, na editora musical dos irmãos Vitale. No início da década de 1940, após se formar em Economia, parte para o Rio de Janeiro, onde realiza testes para o filme It's all true, do diretor americano Orson Welles. Essa seria sua primeira experiência no cinema. Vivencia toda a efervescência artística e cultural da cidade carioca, dos anos de 1940, e se torna frequentador da confeitaria A Brasileira, na praça Floriano Peixoto, também conhecida como Beco dos Aflitos. A convite de Jorge Dória, frequentador do Beco, participa do filme Inconfidência mineira (1938-1948), dirigido por Carmen Santos e, algum tempo depois, da radionovela Rocambole, da Rádio Globo. Posteriormente, ingressa na revista Observador Econômico e Financeiro. É convidado por Alberto Pieralisi para participar de Querida Suzana (1947), que revela as atrizes Tônia Carrero e Nicette Bruno. Seu trabalho seguinte é em Pinguinho de gente (1949), de Gilda de Abreu, filmado nos estúdios de Adhemar Gonzaga, a Cinédia. Logo assina contrato para atuar na primeira produção franco-argentina No me digas adiós (1949), do diretor argentino Moglia Barth. Passa um período em Buenos Aires, chegando a alcançar grande popularidade junto ao público argentino. Retorna ao Brasil em 1948 e começa a trabalhar na Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil, protagonizando o filme Terra violenta (1948), com roteiro de Alinor Azevedo e direção do americano Edmond Bernoudy. Com A sombra da outra (1949), de Watson Macedo, ganha seu primeiro prêmio de melhor ator pela Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos - ABCC. Ainda em parceria com Macedo, participa na elaboração do roteiro de Carnaval no fogo (1949), do qual é ator principal e também diretor dos números musicais Pedalando e Jealousy. Protagoniza Um caçula do barulho (1949) e Aviso aos navegantes (1950). Seu último trabalho na companhia é Maior que o ódio (1951), de José Carlos Burle, com o qual ganha o Prêmio Saci, do jornal O Estado de S. Paulo, e o Prêmio Índio, do Jornal do Cinema. Antes de sair da Atlântida para ingressar na Companhia Cinematográfica Vera Cruz como o ator brasileiro mais bem pago, escreve o roteiro de Amei um bicheiro (1952), dirigido por Jorge Ileli e Paulo Wanderley. Na companhia é protagonista de quatro filmes: Tico-tico no fubá (1952), de Adolfo Celi, com o qual ganha o Prêmio Saci de melhor ator; Appassionata (1952), de Fernando de Barros; Veneno (1952), de Gianni Pons; e Sinhá Moça (1953), de Tom Payne. Após a falência da Vera Cruz, volta ao Rio de Janeiro e, com Watson Macedo, monta uma produtora de filmes populares nos estúdios Carmem Santos. Realizam Carnaval em Marte (1954) e Sinfonia carioca (1955). Participa de O diamante (1955), de Eurides Ramos e de Depois eu conto (1956), de José Carlos Burle. A convite de Tom Payne, em 1957,retorna a São Paulo para protagonizar e coproduzir Arara vermelha. Na mesma época realiza o curta- metragem Fazendo cinema, que ganha o Prêmio Governador do Estado como melhor documentário do ano. Absolutamente certo (1957), produzido por Oswaldo Massaini, é sua primeira direção de longa- metragem, e alcança grande sucesso de público. Atua em O cantor e o milionário (1958), de José Carlos Burle e do inacabado Senhora (1955), de Alberto Pieralisi e Leo Marten. No final de 1958 viaja para a Europa, onde participa do filme do diretor português Perdigão Queiroga, As pupilas do senhor reitor (1960). Finalizado o filme, parte para Paris e matricula-se no Institut des Hautes Études Cinématographiques - IDHEC. Em seguida, escreve o roteiro de O rapto, filme não finalizado, e protagoniza Un rayo de luz (1960), do diretor espanhol Luis Lucia. Em seu retorno ao Brasil, inicia a elaboração do roteiro Messias, o mensageiro. Mas após assistir no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, O pagador de promessas, de Dias Gomes, decide dedicar-se à adaptação cinematográfica da peça. Com o apoio de Oswaldo Massaini, parte para a Bahia e realiza o filme que, em 1962, é escolhido para representar o Brasil no Festival de Cannes, concorrendo com produções de grandes diretores da vanguarda europeia. Ganha a Palma de Ouro. Em 1965, dirige Vereda da salvação, que não alcança grande sucesso. Atua em O caso dos irmãos Naves (1967), de Luiz Sérgio Person, e assina o roteiro e a direção de Quelé do Pajeú (1969). Na década de 1970 dirige Um certo capitão Rodrigo (1971); O descarte (1973); Marido que volta deve avisar (1976); Oh! Dúvida cruel (1976); O crime do Zé Bigorna (1977); e Os trombadinhas (1979). Participa como ator do filme Tensão no Rio (1984), de Gustavo Dahl e Brasa adormecida (1986), de Djalma Limongi Batista. Anselmo Duarte falece em São Paulo aos 89 anos. Deixa quatro filhos, Regina e Ricardo Hooper Duarte, filhos de seu casamento com Myrthes Hooper, e Anselmo e Lydia Soares Duarte, filhos de seu casamento com a atriz Ilka Soares.
Histórico do arquivo:
Na sua chegada à instituição, manteve-se a ordenação original, assim discriminada cada pasta: Reportagens; Biografias; Vera Cruz; Entrevistas; Críticas; Artigos; Europa; França: Cannes, Paris, etc.; Jornal Taperá - Salto, outros Estados e interior; Homenagens. Inclui ainda o livro Adeus Cinema, de Oséas Singh Junior, 1993
Procedência:
Doado pelo titular em maio de 2005.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
Livro; reportagens; notas biográficas do titular utilizadas em publicações; entrevistas; críticas e artigos sobre seus trabalhos; cartazes; desenhos; fotografias; correspondência e folhetos de divulgação de filmes e de entidades. Destaque para a significativa coleção de troféus, medalhas, diplomas e condecorações recebidos pelo titular ao longo de sua carreira como ator e diretor cinematográfico.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Organização em andamento
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Listagem com identificação sumária dos documentos

Acesso:
AAD



   3 / 26
seleciona
Identificação

Referência:
BR CB ATL
Denominação:
Atlântida Cinematográfica
Datas-Limite:
1933 a 2008
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Institucional
Gênero:
Textual / Iconográfico / Audiovisual / Museológico
Dimensão:
Cerca de 10.000 documentos

Contextualização

Produtor:
Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil Ltda. (1941 - 1983)
Histórico do produtor:
Fundada a 20 de setembro de 1941 pelos irmãos José Carlos Burle e Paulo Burle juntamente com Moacyr Fenelon, Arnaldo Farias e Alinor Azevedo, deixa um importante legado para a história do cinema brasileiro através da produção de filmes de longa e curta- metragem e desenhos animados, da dublagem de filmes estrangeiros e serviços de estúdio. Durante os dois primeiros anos de sua existência, a Atlântida produz o cinejornal Atualidades Atlântida; um documentário sobre o IV Congresso Eucarístico Nacional, ocorrido em São Paulo, em 1942; e Astros em revista (também conhecido como Astros em desfile), uma espécie de parada musical filmada com artistas famosos, em 1943. Neste mesmo ano realiza seu primeiro longa-metragem, Moleque Tião, dirigido por José Carlos Burle, seguido por É proibido sonhar, direção de Moacyr Fenelon, ambos marcados por uma vontade de intervenção social. Sob a direção de José Carlos Burle, uma equipe técnica é contratada a partir de 1944, integrada, entre outros, pelo fotógrafo Edgar Brasil, e por Waldemar Noya e Watson Macedo na montagem dos filmes. No elenco destacam-se Grande Otelo, Oscarito, Mesquitinha e Modesto de Souza. Nos anos posteriores, a empresa concentra sua produção em filmes de grande apelo popular, como Tristezas não pagam dívidas (1944), de Ruy Costa e José Carlos Burle. Entre 1943 e 1947, realiza doze filmes - uma média de dois filmes por ano - consolidando-se como a grande produtora brasileira. Destaque para Gente honesta (1944), de Moacir Fenelon, com Oscarito no elenco; Este mundo é um pandeiro (1947), de Watson Macedo, que marca o gênero da comédia musical brasileira, conhecido como chanchada; e Luz dos meus olhos (1947), de José Carlos Burle, que revela Cacilda Becker no cinema. No ano de 1947, a entrada de Luiz Severiano Ribeiro Jr. como sócio-majoritário consolida a chanchada como a marca registrada da empresa, que passa a contar com a cadeia de distribuição e exibição de Luiz Severiano (a distribuidora União Cinematográfica Brasileira - UCB e as salas de cinema do Grupo Severiano Ribeiro). Controlando todas as fases do processo cinematográfico (produção, distribuição e exibição) e favorecido pela ampliação da reserva de mercado de um para três filmes, o esquema montado por Luiz Severiano Ribeiro Jr., que possui também um laboratório para processamento de filmes, a Cinegráfica São Luiz, garante a continuidade das chanchadas na década seguinte. Há uma renovação do quadro de técnicos e de seu elenco, com a contratação de astros como Anselmo Duarte, Cyll Farney, José Lewgoy, Eliana e Fada Santoro, bem como Carlos Manga, que se tornaria o principal diretor de filmes da empresa, realizando, entre outros, Nem Sansão nem Dalila (1954), Matar ou correr (1954), De vento em popa (1957), Esse milhão é meu (1958) e O homem do Sputnik (1959). Nessa nova etapa também se observa o crescimento na realização de cinejornais, que se mantém por quase quatro décadas. Além do Atualidades Atlântida, são produzidas, até meados dos anos de 1980, com periodicidades diferenciadas, as séries Notícias da semana, Jornal da tela, Esporte na tela, Cine atualidades, Resenha da semana e Cinelândia jornal. Em 1962, a Atlântida produz o seu último filme, Os apavorados, de Ismar Porto, mas prossegue com os cinejornais e os serviços de estúdio. De 1963 a 1965 realiza algumas coproduções com a Alemanha, bem como com cineastas europeus e, a partir de 1966, com vários produtores brasileiros. Com Carlos Manga, produz Assim era a Atlântida (1974), uma coletânea com trechos de seus principais filmes entre 1941 e 1962. No ano de 1983, a Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil S/A encerra suas atividades como empresa produtora.
Histórico do arquivo:
O conjunto Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil S.A. atualmente sob a guarda do Centro de Documentação e Pesquisa da Cinemateca Brasileira é composto pela parte não-fílmica produzida durante a existência da empresa. A chegada dessa documentação à Cinemateca Brasileira, em 2009, foi resultado da política de aquisição e preservação de acervos pelo Ministério da Cultura que, com a parte fílmica, conferiu à Cinemateca a guarda e a titularidade sobre todo esse acervo. Somam-se a esse conjunto os primeiros documentos a chegarem à instituição (cópias de roteiros de cinejornais, correspondências e folhas de serviço de cinegrafistas) que estavam depositados na Cinemateca do Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, e que foram entregues por Hernani Hefner, antes da devolução dos originais à Atlântida.
Procedência:
Aquisição do Ministério da Cultura, em 2009.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
O conjunto é composto por uma vasta documentação referente às atividades de produção, divulgação e exibição cinematográfica, exercidas não apenas pela Atlântida, mas também por outras empresas do Grupo Severiano Ribeiro, como a União Cinematográfica Brasileira - UCB, a Cinegráfica São Luiz e a rede de salas exibidoras. Dentre as diversas tipologias existentes, encontram-se estatuto; documentos e certificados; documentação administrativa; roteiros de cinejornais e de filmes de ficção em curta e longa-metragem; pautas e cadastros de cinejornais; ordens de filmagem; comunicados; correspondência; plantas arquitetônicas e folhetos de programação das salas de cinema; press releases de filmes; livros; periódicos; recortes de jornais sobre a empresa e seus filmes; cartazes; fotografias; e equipamentos cinematográficos.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Organização em andamento
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Listagem com identificação sumária dos documentos

Acesso:
ATL



   4 / 26
seleciona
Identificação

Referência:
BR CB CAC
Denominação:
Carlos Augusto Calil
Datas-Limite:
1970 a 2003
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Pessoal
Gênero:
Textual / Iconográfico / Audiovisual
Dimensão:
Cerca de 1.000 documentos

Contextualização

Produtor:
Carlos Augusto Machado Calil
Histórico do produtor:
Realizador cinematográfico, gestor público, professor, curador e ensaísta. Nasce em 1951 na cidade de São Paulo, filho do desembargador Felizardo Calil. Realiza os estudos secundários no colégio Dante Alighieri. Em 1969, inicia graduação em Física, na Universidade de São Paulo, mas no mesmo ano interrompe o curso e matricula-se em cinema, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, formando-se em 1972. Desde cedo inicia sua carreira púbica. De 1975 a 1979 é assessor do então secretário de cultura Sábato Magaldi; e entre 1977 e 1979 atua também como vice-presidente da Comissão Estadual de Cinema. Em seguida, durante a gestão do diplomata Celso Amorim, assume a Diretoria de Operações Não Comerciais da Embrafilme - Donac, responsável pelos filmes educativos, apoio às cinematecas e cineclubes, e edição de livros e revistas. Em 1985, assume a Diretoria-Geral do órgão, com o desafio de sanar a crise política e financeira instalada desde a saída de Celso Amorim. Na sua gestão, é assinado um Acordo de Cooperação Técnica Bilateral (1985) com o National Film Board do Canadá, que resulta em um núcleo de fomento à atualização tecnológica, estímulo ao cinema de animação e à produção de filmes de caráter cultural, bem como na criação do Centro Técnico Audiovisual - CTAv. Porém, no final de 1986, após discórdias com o ministro da Cultura, Celso Furtado, em torno do projeto de reformulação da Embrafilme, pede demissão do cargo. Na Cinemateca Brasileira, é membro da diretoria, entre 1979 e 1986, e do Conselho entre 1975 e 1986. É responsável pela criação de um laboratório de restauração de filmes antigos, inaugurado em 1977. Em 1987, é nomeado diretor-executivo. Durante seu mandato, defende a reativação da Sociedade Amigos da Cinemateca - SAC, que viabilizaria as atividades de difusão, por meio da Sala Cinemateca, e coordena o projeto de reforma do antigo Matadouro Municipal, para instalação da sede definitiva da Cinemateca Brasileira. Após 1992, continua a colaborar com a instituição, como membro do seu Conselho Consultivo. De 2001 a 2005 dirige o Centro Cultural São Paulo, onde realiza reformas físicas e institucionais, com investimento em restauração e catalogação dos acervos da Discoteca Oneyda Alvarenga, Pinacoteca Municipal e Arquivo Multimeios. Desde 2005, ocupa o cargo de Secretário Municipal de Cultura. Paralelamente, leciona no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, carreira iniciada em 1987. Na área cinematográfica, Calil dirige Ilusência (1970); Acaba de chegar ao Brasil o bello poeta francez Blaise Cendrars (1972); Os idos de 22 (1973); Simiterio do Adão e Eva (1975), que recebe prêmios no Festival de Brasília; A árvore dos sonhos (1978); O que eu estou vendo vocês não podem ver (1979), premiado no Festival Jornal do Brasil; Quem não conhece o Silva? (1979); Manuel e o pai dele (1979); Adorável de se ver: Moda e cinema nos anos 30 e 40 (1992), Inventando moda (1996); e A metrópole e o balé (1998). É autor de ensaios e editor de publicações sobre cinema, iconografia, teatro, história e literatura. Por deferência do governo francês, torna-se, em 1987, Officier dans l'Ordre des Arts et des Lettres; em 2009, Commandeur dans l'Ordre des Arts et des Lettres, e, em 2011, Chevalier de la Légion d'Honneur.
Procedência:
Doado pelo titular em 2008 e 2009.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
Uma diversidade documental que se refere à ação do titular no campo cinematográfico, assim como documentos que registram o trabalho de editor e organizador de obras. Reúne correspondência, produção intelectual, folhetos de festivais, catálogos, livros, material sonoro, fotografias e documentos a respeito dos filmes Acaba de chegar ao Brasil o bello poeta francez Blaise Cendrars (1972) e Simiterio do Adão e Eva (1975). Destaque para as cartas com personalidades do cinema brasileiro - Mário Peixoto, Alex Viany, Ilka Laurito, José Tavares de Barros, Eduardo Escorel. Além disso, há uma série de recortes de jornais e catálogos oriundos de sua participação em festivais e debates públicos, como a querela em torno do filme Noel por Noel (1983) de Rogério Sganzerla, produzido com recursos da Embrafilme, e o II Encuentro de Centros Culturales de America y Europa (2003).

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Organização em andamento
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Listagem com identificação sumária dos documentos

Acesso:
ACAC



   5 / 26
seleciona
Identificação

Referência:
BR CB CDI
Denominação:
Cinema Distribuidora Independente
Datas-Limite:
1980 a 1990
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Institucional
Gênero:
Textual / Iconográfico
Dimensão:
Cerca de 7.000 documentos

Contextualização

Produtor:
Cinema Distribuidora Independente
Histórico do produtor:
Voltada para a promoção e distribuição da produção de cineastas do circuito independente, é criada em 1980, na cidade de São Paulo, com a razão social Centro de Distribuição Independente - CDI. Integram a empresa, de forma cooperativa, 30 realizadores que detêm 200 títulos de filmes de longa, média e curta-metragem, em 16mm, 35mm e vídeo. Entre os cineastas da empresa estão João Batista de Andrade, Flávio Del Carlo, Sérgio Bianchi e Wilson Barros. Regina Gomes e Cláudio Kahns são os primeiros administradores da distribuidora. O objetivo é projetar os filmes brasileiros independentes, nacional e internacionalmente, em escolas, sindicatos, paróquias, cineclubes e universidades, como alternativa à política de distribuição realizada pela Embrafilme e pela Dinafilmes, esta dedicada ao circuito cineclubista. Sua política promove de forma direta a figura do realizador, que recebe 60 por cento da arrecadação dos filmes. Torna-se uma forte distribuidora de curtas-metragens, sobretudo graças à Lei do Curta (1975) e às resoluções do Conselho Nacional de Cinema - Concine, que instituem a exibição compulsória do filme curto no circuito exibidor. Desenvolve projetos com instituições como a Fundação Ford e o Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos - ICAIC. Na televisão, atua em parceria com a TV Cultura na produção do programa Cine Brasil. Realiza oficinas em diversas entidades, ampliando seu perfil de organizadora cultural. Em 1985, a CDI integra a Federação das Distribuidoras Alternativas da América Latina e Caribe - Fedalc, mantida sobretudo com recursos do governo cubano, que reúne 15 distribuidoras de 11 países, totalizando um acervo de mais de 1.500 títulos exibidos em festivais e eventos latino-americanos e caribenhos. No primeiro ano do governo Collor, o cinema brasileiro sofre um duro golpe, com a extinção da Embrafilme e do Concine, além de outras instituições da área cultural. Com o fim da obrigatoriedade de exibição do filme de curta-metragem, a CDI perde sua principal fonte de renda, desde então passando a se dedicar a projetos culturais apoiados pelas esferas municipais e estaduais. Atualmente, dirigida por Isa Castro, produz filmes e vídeos, sob o nome Casa dos Independentes.
Histórico do arquivo:
Manteve-se a ordem original do conjunto dada pela entidade titular, a saber, ordem alfabética dos títulos dos filmes ou dos nomes de entidades congêneres, materiais diversos sem ordenação prévia referentes a festivais, mostras e empresas.
Procedência:
Doação de Isa Castro, em maio de 2005.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
A maior parte da documentação se refere à distribuição de filmes que integram o catálogo da empresa e projetos desenvolvidos com outras instituições congêneres até o início dos anos de 1990. Contém correspondência, certificados de censura, fichas de tráfego de filmes, notas fiscais, relatórios, contratos, fotografias, folhetos de divulgação, catálogos, livros e periódicos.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Não organizado
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Acesso:
ACDI



   6 / 26
seleciona
Identificação

Referência:
BR CB CB
Denominação:
Cinemateca Brasileira
Datas-Limite:
1948 a 2011
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Institucional
Gênero:
Textual / Iconográfico / Audiovisual
Dimensão:
100 metros lineares

Contextualização

Produtor:
Cinemateca Brasileira
Histórico do produtor:
A origem da Cinemateca Brasileira remonta à criação, em 1946, por Francisco Luiz de Almeida Salles, Rubem Biáfora, Múcio Porphyrio Ferreira, Benedito Junqueira Duarte, João de Araújo Nabuco, Lourival Gomes Machado e Tito Batini, do Segundo Clube de Cinema de São Paulo, que busca estimular o estudo, a defesa, a divulgação e o desenvolvimento da arte cinematográfica no Brasil. Vale lembrar que, em 1940, Paulo Emilio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado, Antonio Candido de Mello e Souza, entre outros, fundam o Primeiro Clube de Cinema, que se propunha a estudar o cinema como arte independente por meio de projeções, conferências, debates e publicações. Todavia, durante o Estado Novo, não há condições para um projeto dessa natureza e, em 1941, o Clube é fechado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP, órgão de repressão da ditadura estado-novista. Em setembro de 1947, por intermédio de Paulo Emilio, o Clube é filiado à Federação Internacional dos Clubes de Cinema - FICC, o que lhe permite o acesso a uma pequena coleção de filmes. Porém, a constituição de um arquivo fílmico só poderia ser viabilizada por meio da filiação à Federação Internacional de Arquivos de Filmes - FIAF. Em 1948, Francisco Matarazzo Sobrinho passa a colaborar com o Clube de Cinema e, em 05 de março de 1949 é aprovado um acordo entre o recém-criado Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e o Clube, para criação da Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1951, Paulo Emilio é nomeado vice-presidente da FIAF. A Filmoteca, que continua a receber empréstimos de filmes dos arquivos membros da Federação e a prospectar filmes brasileiros antigos, fortalece sua atuação no campo cultural brasileiro, sobretudo por meio da realização de grandes mostras em parceria com as demais instituições culturais de São Paulo. Almeida Salles é o primeiro diretor da entidade, ao lado de Lourival Gomes Machado, na época diretor do MAM. Em 1956, em busca de maior autonomia, a Filmoteca se desliga do Museu de Arte Moderna, transformando-se em Cinemateca Brasileira, uma sociedade civil sem fins lucrativos. Em setembro de 1957, um incêndio causado pela autocombustão sofrida pelos filmes em suporte de nitrato de celulose destrói suas instalações na Rua Sete de Abril. Num clima de comoção geral, a instituição passa a receber apoio e doações de diversas entidades nacionais e estrangeiras. Por intermédio de Ciccillo Matarazzo e da Prefeitura do Município de São Paulo, os filmes são depositados em espaços distribuídos dentro do Parque do Ibirapuera e a Cinemateca ocupa uma sala na sede da Bienal de São Paulo, reiniciando em pouco tempo as suas atividades; no entanto, a falta de recursos continua sendo o maior obstáculo ao desenvolvimento da instituição.Em 1961, a Cinemateca Brasileira torna-se uma fundação, personalidade jurídica que lhe permitiria estabelecer convênios com o poder público estadual. No ano seguinte, outra iniciativa é tomada a fim de dotar a instituição de recursos financeiros. Em julho de 1962, é criada a Sociedade Amigos da Cinemateca - SAC, sociedade civil cuja finalidade é auxiliar financeiramente a Fundação Cinemateca Brasileira. Porém, em 1969, outro incêndio acarreta a perda de diversos materiais documentais em suporte de nitrato e agrava a situação da instituição, que até meados dos anos de 1970 sobreviverá com escassos recursos, provenientes de doações e taxas de exibição. Nesse período de crise, a instituição é desligada da Federação Internacional de Arquivos de Filmes. O ano de 1975 marca o ressurgimento legal da Cinemateca, com a formação de um Conselho Consultivo, o reconhecimento de seu caráter de utilidade pública e a obtenção de recursos junto às esferas do poder público. Em 1977, equipamentos são adquiridos junto a laboratórios comerciais desativados e, em meio às inúmeras dificuldades, a Cinemateca passa a se dedicar à contratipagem, legendagem e copiagem de filmes. Paralelamente, são desenvolvidos trabalhos de catalogação do acervo consoantes com as normas da FIAF, que resultam na confecção de uma Ficha de Inventário. A reintegração da Cinemateca Brasileira à Federação Internacional de Arquivos de Filmes acontece em 1979 e, no ano seguinte, num espaço cedido pela Prefeitura do Município de São Paulo no Parque da Conceição, é inaugurado o Centro de Operações, que se dedica aos trabalhos de documentação e pesquisa sobre cinema. Em 1982, ocorre outro incêndio, que agrava as dificuldades financeiras da instituição e levam à defesa de sua incorporação ao poder público, desde que não fosse comprometida sua autonomia institucional. Em 1984, a Fundação Cinemateca Brasileira transforma-se em Divisão Cinemateca Brasileira da Fundação Nacional Pró-Memória. No final da década, a instituição passa a contar com uma sala de cinema na Rua Fradique Coutinho, em um espaço alugado pela Sociedade Amigos da Cinemateca. Neste mesmo período, o prefeito Jânio Quadros cede à instituição o espaço do antigo matadouro da cidade. Após nove anos de reformas, sua sede é definitivamente instalada na Vila Clementino. Em 2008, tem início os estudos para novas edificações em um terreno de 8.400 m² na Vila Leopoldina, transferido à Cinemateca pelo Patrimônio da União do Estado de São Paulo, que deverá abrigar novas instalações para guarda de filmes. No âmbito das reformas administrativas do governo Collor, a Fundação Nacional Pró-Memória é extinta, dando lugar ao Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural - IBPC que, por sua vez, absorve a Cinemateca Brasileira. Em 1994, através da Medida Provisória n§ 752, de 06 de dezembro, o IBPC é transformado em Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. Em 12 de agosto de 2003, por meio do Decreto n§ 4.805, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura incorpora a Cinemateca Brasileira. Desde então, a instituição tem ampliado significativamente sua atuação na área de preservação audiovisual, graças inclusive ao apoio da SAC, que em 2008 torna-se uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, e por meio de convênios com as esferas pública e privada, tem captado recursos para impulsionar suas atividades de preservação e difusão. O último regimento da Cinemateca, aprovado em 2007, define a missão da instituição: "preservar a produção audiovisual brasileira e uma seleção da produção internacional de todos os tempos, recolher e organizar a documentação a elas relativa, bem como promover a difusão da cultura cinematográfica e audiovisual".
Histórico do arquivo:
A configuração do arquivo guarda as marcas decorrentes das transformações na personalidade jurídica da instituição, bem como das tragédias que a acometeram ao longo de seus mais de sessenta anos, resultando em lacunas documentais, principalmente sobre os primeiros períodos de sua história. Os poucos documentos existentes integram os arquivos pessoais de personalidades ligadas ao processo de sua criação, como Paulo Emilio e Almeida Salles. O volume documental passa a ser significativo a partir da segunda metade da década de 1950, quando a Cinemateca se desvincula do Museu de Arte Moderna de São Paulo. A incorporação ao poder público, em 1984, transforma a produção documental, sobretudo aquela relativa às atividades-meio.
Procedência:
Arquivo da instituição

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
Entre outros documentos, há correspondência; fotografias; projetos desenvolvidos pela instituição; atas de reuniões e assembleias; estatutos; atestados e certificados; relatórios parciais e anuais; balanços; relatórios de auditoria; processos de compra; registros de funcionários; contratos de depósito, de locação e de prestação de serviços; pesquisas; laudos técnicos de filmes; documentos sobre a circulação dos filmes; fichas de revisão de filmes; fichas filmográficas; borderôs; programação de mostras e eventos; boletins informativos; catálogos e publicações da instituição; documentos relacionados à FIAF; e termos de cooperação técnica.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Organização em andamento
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Índice das tipologias documentais

Listagem com identificação sumária dos documentos

Acesso:
AHCB



   7 / 26
seleciona
Identificação

Referência:
BR CB CON
Denominação:
Concine
Datas-Limite:
1966 a 1992
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Institucional
Gênero:
Textual
Dimensão:
856 caixas-arquivo

Contextualização

Produtor:
Conselho Nacional de Cinema (1966 - 1990)
Histórico do produtor:
A Lei n§ 6.281, de 09 de dezembro de 1975, extingue o Instituto Nacional de Cinema - INC e reformula a estrutura administrativa da Empresa Brasileira de Filmes - Embrafilme, além de prever a criação de um Conselho Nacional de Cinema para atuar na regulamentação e na fiscalização da atividade cinematográfica no país. Este momento marca o início de um período de grande transformação no cinema brasileiro, que experimenta uma fase de intenso crescimento, a partir de uma complexa relação entre o Estado e a classe cinematográfica. O Conselho Nacional de Cinema - Concine é oficialmente instituído em 1976, por meio do Decreto n§ 77.299, de 16 de março, e exerce funções anteriormente sob a responsabilidade do Conselho Deliberativo e do Conselho Consultivo do INC. Sua atribuição inicial é normatizar a atividade cinematográfica, incrementando as ações desempenhadas pela Embrafilme. Por meio de 195 resoluções, o órgão regulamenta questões relativas à produção, reprodução, comercialização, venda, locação, permuta, exibição, importação e exportação de obras cinematográficas. Seu colegiado é formado por 13 membros: presidente; diretor-geral do Departamento de Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura - MEC; diretor-geral da Embrafilme; representantes do MEC, dos realizadores, dos exibidores, dos produtores, da Secretaria do Planejamento (SEPLAN) da Presidência da República, do Ministério da Fazenda, do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Indústria e Comércio e do Ministério das Comunicações. Alcino Teixeira de Mello, advogado e ex-funcionário do INC, é o primeiro a ocupar o cargo de presidente do órgão. Sua gestão dá continuidade e reforça a política de inserção, de forma compulsória, do filme nacional (curta e longa-metragem) no circuito exibidor. Vários conflitos se estabelecem em torno da Lei do Curta (1975) e da fixação de cota de 112 dias para o filme nacional de longa-metragem. A classe exibidora, representada pela Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas, declara-se prejudicada pela política "arbitrária" exercida pela Embrafilme e pelo Concine. Os produtores, por sua vez, consideram a obrigatoriedade de grande importância cultural, política e econômica: "uma conquista histórica" do cinema nacional. Em 1979 tem início a gestão do cineasta Miguel Borges. Integrante do movimento do Cinema Novo e, à época, também presidente do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica, Borges assume o órgão com a missão de apaziguar a relação entre produtores e exibidores e aumentar a oferta de filmes nacionais e de salas de exibição, tornando mais justa a concorrência entre o filme brasileiro e o filme estrangeiro. Durante sua gestão, o Concine se encarrega da fiscalização dos cinemas, tarefa que estava a cargo da Embrafilme desde a extinção do INC. Em 1980, Borges deixa a presidência do Conselho, por considerar que o cinema nacional tornara-se cada vez mais dependente do Estado, devido ao modelo político e econômico encabeçado pela Embrafilme e legitimado pelo Governo Federal. O ministro da educação e cultura Eduardo Portella, surpreendendo boa parte da classe cinematográfica, nomeia para presidência do Concine o filósofo e literato Ronaldo Pereira Lima Lins, que permanece no cargo até 1982. Suas prioridades são corrigir as distorções geradas pela lei de obrigatoriedade do curta-metragem, promover o aumento da reserva de mercado para o cinema nacional e agilizar as atividades de regulamentação e de fiscalização. No primeiro ano de seu mandato, ocorre uma significativa diminuição na emissão de certificados de autorização para exibição de curtas-metragens, o que lhe vale duras críticas por parte dos curtametragistas, que detêm 5 por cento da renda de bilheteria. Mesmo enfrentando polêmicas sobre a ação fiscalizadora do Concine, institui, juntamente com a Embrafilme, a obrigatoriedade do ingresso padronizado em todas as salas do país. Em 22 de abril de 1982, o então ministro Rubem Carlos Ludwig nomeia o jornalista e sociólogo Sérgio Santos de Oliveira para presidir o Concine até 1984. Oliveira inicia, em parceria com a Embrafilme, o debate em torno de uma legislação para regularizar a produção e a exibição de videocassetes, cujo mercado encontra-se em franco crescimento e tem a pirataria como o maior inimigo. Legisla sobre a produção de cinejornais, limitando o tempo das edições para três minutos, e proíbe a veiculação de conteúdo publicitário e institucional. Com o Decreto n§ 91.144, de 15 de março de 1985, é criado o Ministério da Cultura e o Concine é vinculado à sua estrutura, cabendo ao ministro em exercício o cargo de presidente. Para a vice-presidência do órgão é nomeado o cineasta Gustavo Dahl, que permanece no posto de 1985 a 1987. Na sua gestão empreende-se uma forte batalha para a regularização e o controle do mercado de vídeo, bem como contra a pirataria. Neste período, há um fortalecimento do Conselho, enquanto instância reguladora com autonomia de recursos humanos e orçamentários, consolidado a partir da publicação do Decreto n§ 93.881, de 23 de dezembro de 1986, que redefine as funções e o colegiado do órgão, que passa a contar com 23 membros, ampliando a participação da sociedade civil.Em 1987, Dahl se desliga do cargo em razão de divergências com o então ministro da Cultura, Celso Furtado. Roberto Farias é nomeado para suceder Gustavo Dahl na vice-presidência do órgão, onde permanece até 1990. Na sua administração, o Concine passa a regularizar os pagamentos devidos para a União, oriundos da comercialização de filmes e vídeos importados, e intensifica a ação fiscalizadora. A Resolução 171, de 1988, garante maior presença da produção nacional no circuito exibidor, ao fixar 140 dias de exibição compulsória do filme brasileiro de longa-metragem. Em 1990, no governo Collor, o ministério é extinto, e com ele o Conselho Nacional de Cinema, por meio da Medida Provisória n§ 150, de 15 de março de 1990, convertida na Lei n§ 8.028, de 12 de abril do mesmo ano.
Histórico do arquivo:
O arquivo foi transferido à Agência Nacional do Cinema, à época de sua criação. Em 2002, a Ancine contratou a empresa Finatec, de Brasília, para realizar os trabalhos de identificação, classificação e avaliação dos documentos, conforme Plano de Classificação e Destinação aprovado pelo Conselho Nacional de Arquivos. Os documentos que chegaram à Cinemateca Brasileira são de caráter permanente e passam por tratamento para disponibilização ao público.
Procedência:
Depositado pela Agência Nacional do Cinema, através de Termo de Cooperação Técnica, assinado em 2007.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
Documentos referentes às atividades finalísticas de Fomento (coprodução com outros países e reserva de mercado); Controle (registro de filmes, direitos autorais, certificação e premiação, importação e exportação, equipamentos, filmes, registros de contratos, controle de cópias em obra de videocassete, registros de empresas produtoras, distribuidoras, exibidores, importadores, laboratórios e estúdios); Fiscalização (dados estatísticos, inspeção, registro, vistoria, autuação, infração, multa, interdição, denúncias e autorização de filmagens); Normalização (normas, resoluções e orientações normativas). Os documentos da área-meio referem-se à organização e funcionamento; legislação; sindicato; acordos; dissídios; estágios promovidos pela instituição; inventário; aquisição; obras e reformas; planos e projetos; normas e manuais; programas; ações judiciais; solenidades; e discursos e palestras de técnicos do órgão.
Sistema de arranjo:
Código de Classificação, Temporalidade e Destinação de Documentos de Arquivo da Administração Pública, sugerido pelo Conselho Nacional de Arquivos.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Organização em andamento
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Plano de Classificação e Destinação

Acesso:
CON



   8 / 26
seleciona
Identificação

Referência:
BR CB DDB
Denominação:
Dulce Damasceno de Brito
Datas-Limite:
1950 a 2007
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Pessoal
Gênero:
Textual / Iconográfico / Audiovisual
Dimensão:
Cerca de 6.000 itens

Contextualização

Produtor:
Dulce Damasceno de Brito (1927 - 2008)
Histórico do produtor:
Jornalista. Nasce em 03 de março de 1927, em Casa Branca, interior de São Paulo. Aos 13 anos, tem seu primeiro artigo publicado na revista A Scena Muda, inaugurando uma coluna de críticas enviadas por leitores. Em 1943, Dulce cria a Fan Magazine, uma revista de cinema dedicada ao mundo de astros e estrelas de Hollywood, na qual publica artigos até 1968. Aos 17 anos, procura Osvaldo Chateaubriand, irmão do empresário paulista Assis Chateaubriand e amigo de seu pai, pois deseja ser correspondente dos Diários Associados em Hollywood. Na conversa fica acordado que ela iria aos Estados Unidos quando atingisse a maioridade e tivesse dinheiro para pagar sua passagem. Dulce passa, então, a trabalhar em uma companhia de projetores de cinema, dividindo o dia entre o emprego e os estudos. Em um ano consegue aprender inglês e juntar dinheiro suficiente para a viagem. Em 1952, vai para Hollywood e torna-se a correspondente oficial dos Diários Associados, maior conglomerado de mídia dos anos de 1950, e da revista O Cruzeiro, também pertencente a Assis Chateaubriand. Suas primeiras entrevistas são com Dorothy Lamour, Bob Hope e Bing Crosby. Durante os dezesseis anos em que permanece em Hollywood, conhece diversas celebridades do cinema. Com algumas delas, como Carmen Miranda, Marlon Brando e Kim Novak, estreita relações, chegando a frequentar suas casas. É eleita presidente da Foreign Press Association, faz parte da diretoria do Hollywood Women's Press Club, e é representante oficial da imprensa brasileira em todos os eventos hollywoodianos que contam com a presença de jornalistas. Entre as personalidades entrevistadas por Dulce estão Marilyn Monroe, Clark Gable, ElizabethTaylor, Rock Hudson, Doris Day, Cary Grant, Marlene Dietrich, James Stewart, Charlton Heston, Audrey Hepburn, John Wayne, Jane Wyman, Sophia Loren, James Dean, Barbara Stanwyck, Walt Disney, Grace Kelly, Bete Davis e Gregory Peck, seu grande ídolo. Retorna ao Brasil em 1968 e continua a publicar artigos sobre Hollywood e cinema. Trabalha na Editora Abril, colaborando nas revistas Contigo e Ilusão. Em paralelo, escreve Hollywood nua e crua (1968), no qual conta suas impressões sobre os bastidores hollywoodianos. Anos depois lança O ABC de Carmen Miranda (1986), resultado de sua convivência com a cantora e atriz, de quem se torna amiga em 1952. A partir de 1994, passa a escrever para a revista Set, especializada em cinema, assinando a coluna Hollywood Boulevard. Em 2006, publica seu terceiro livro Lembranças de Hollywood. Morre em 09 de novembro de 2008, em São Paulo.
Histórico do arquivo:
Após a morte da titular, seu arquivo permance sob a guarda de Verônica Tamaoki, amiga de família. Em 2010, a Cinemateca Brasileira é procurada para avaliar o arquivo e sua pertinência à instituição. Em 2011, após negociações com os herdeiros da jornalista, o arquivo é adquirido pelo MinC e transferido à Cinemateca para tratamento e disponibilização.
Procedência:
Adquirido pelo Ministério da Cultura através do Programa de Preservação e Difusão de Acervos Audiovisuais III, em 2011.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
A maior parte da documentação se refere à atuação da titular como jornalista especializada em cinema. São fotos, correspondência, artigos, livros, revistas, álbum de memórias, biografias obituários de personalidades do cinema, anotações para livros, material de divulgação de eventos, convites para cerimônia de premiação do Oscar, e artigos sobre Dulce. Destaque para o conjunto de fotografias de Carmem Miranda e coleção de fotos autografadas por astros e estrelas do cinema nacional e estrangeiro.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Organização em andamento
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Listagem com identificação sumária dos documentos

Acesso:
ADDB



   9 / 26
seleciona
Identificação

Referência:
BR CB EMBRA
Denominação:
Embrafilme
Datas-Limite:
1966 a 1993
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Institucional
Gênero:
Textual / Iconográfico
Dimensão:
700 caixas-arquivos

Contextualização

Produtor:
Empresa Brasileira de Filmes S.A. (1969 - 1990)
Histórico do produtor:
Criada em 12 de setembro de 1969 por meio do Decreto-Lei n§ 862, aprovado pela Junta Militar que substitui o presidente Artur da Costa e Silva. O órgão, inicialmente, tem por funções distribuir e divulgar os filmes brasileiros, realizando mostras e eventos no exterior, além de cooperar com as atividades do Instituto Nacional de Cinema - INC, que se encarrega do fomento à produção e da regulamentação da atividade cinematográfica. Estrutura-se como uma empresa de economia mista, na qual o Estado detém 70 por cento do capital e o restante é dividido entre entidades de direito público e privado. Sua criação ocorre sem prévia consulta aos grupos da indústria cinematográfica, o que provoca inúmeras críticas e protestos. O primeiro diretor da Embrafilme, Durval Gomes Garcia, personalidade ligada ao alto escalão do exército, já havia sido presidente do INC. Sua gestão é caracterizada por uma fase de organização da empresa, que conta com amplo apoio do então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, responsável pela criação do Plano de Ação Cultural - PAC, que modifica significativamente a ação do Estado na área cultural. A gestão seguinte fica a cargo de Ricardo Cravo Albin, que promove o fortalecimento da Empresa ao assumir o financiamento da produção cinematográfica, anteriormente a cargo do Instituto Nacional de Cinema. Após sua saída em 1971, assume o embaixador José Osvaldo de Meira Penna, que permanece pouco tempo no cargo, sendo substituído pelo Brigadeiro Armando Tróia. Após a realização do I Congresso da Indústria Cinematográfica Brasileira, em 1972, há uma grande articulação política da classe cinematográfica para ocupar a direção da Embrafilme. No entanto, em 1973, o cargo é confiado a Walter Graciosa, também ligado aos militares. No seu mandato, a Embrafilme passa a atuar diretamente na área de distribuição, segmento nevrálgico da indústria cinematográfica nacional, responsável pela inserção da produção no mercado exibidor. A indicação de Ronaldo Lupovici para implantar este departamento assinala o ingresso de membros da classe cinematográfica na estrutura administrativa da Empresa. Ainda na gestão de Graciosa, a Embrafilme passa a incentivar filmes com temática histórica e adaptações literárias.Entre 1974 e 1979, a Embrafilme é dirigida pelo cineasta Roberto Farias. Sua gestão é marcada pela ampla reformulação das normas de financiamento, que modificam consideravelmente o acesso pelos realizadores aos recursos destinados à produção. Mas é em 1975 que seu poder como estatal do cinema se consolida. A Lei n§ 6.281, de 09 de dezembro de 1975, extingue o INC e confere à Embrafilme amplos poderes nas áreas de produção e de distribuição cinematográfica, além de prever a criação do Conselho Nacional de Cinema - Concine, responsável pela regularização e fiscalização da atividade em todo o território nacional. A Embrafilme passa, assim, a se encarregar da coprodução; aquisição e importação de filmes; comercialização (distribuição e exibição no Brasil e no exterior); financiamento à indústria cinematográfica; promoção de filmes nacionais em festivais; criação de subsidiária; pesquisa; recuperação e conservação de filmes; produção e difusão de filmes educativos, científicos, técnicos e culturais (herança do Instituto Nacional de Cinema Educativo - INCE); formação profissional; documentação e publicação. Para atuar em todas essas áreas, conta com uma Superintendência de Produção (Suprod); uma Superintendência Comercial (Sucom); e uma Diretoria de Operações Não Comerciais (Donac), encarregada da área cultural. Para dirigir a Sucom, Roberto Farias nomeia o cineasta Gustavo Dahl, que promove a inserção do filme nacional no mercado de modo nunca antes experimentado. É montada uma forte estrutura administrativa que congrega experientes profissionais na área de distribuição, grandes investimentos em publicidade, bem como controle das bilheterias e dos pagamentos feitos aos produtores. Neste período, em que o filme nacional chega a atingir mais de 40 por cento de ocupação nas salas do país, há também uma intensa campanha de venda do filme brasileiro para televisão e para o exterior. A partir de 1980, agrava-se a crise econômica no Brasil. O "milagre" que marcara a década anterior começa a mostrar suas fragilidades e têm impacto direto na liberação de recursos para as atividades da Embrafilme. O diplomata Celso Amorim, sucessor de Roberto Farias, pretende descentralizar as atividades da empresa por meio da criação de superintendências, de modo a melhor atender os diferentes pontos do país. Sua gestão, porém, enfrenta liminares impetradas por representantes do setor exibidor, descontentes com a obrigatoriedade de exibição de filmes nacionais. A situação, agravada pelo mal-estar político causado pelo filme Pra frente Brasil (1982), de Roberto Farias, realizado com recursos da estatal e que trata abertamente a questão da tortura durante o regime militar, levam à demissão de Amorim. Roberto Parreira, ex-presidente da Funarte, é nomeado para a direção do órgão, e permanece no cargo até o final de 1984. Implementa um novo modelo de gestão, modificando a relação de interdependência entre a produção brasileira e a Embrafilme, por meio de uma reforma radical na estrutura dos programas. Porém, em um quadro de crescente endividamento da empresa e fracasso comercial das produções, inicia-se um processo de desmoralização da Embrafime perante a sociedade, alimentado por ataques regulares de órgãos de imprensa.Após a saída de Parreira, momento de redemocratização do país, Carlos Augusto Machado Calil assume, em caráter interino, a diretoria-geral da empresa. É efetivado no cargo em 1986, durante o mandato de José Sarney, que cria o Ministério da Cultura para dar novos rumos à política cultural do governo federal. Em sua gestão, numa tentativa de superar a difícil situação financeira, promove-se o lançamento de filmes com boa receptividade de crítica e de público e é feito um enxugamento no quadro administrativo. No entanto, as ações são insuficientes para resolver as crises política e financeira.Calil renuncia ao cargo no final de 1986, após um grande desgaste provocado pela política do ministro da Cultura Celso Furtado e as difamações na imprensa, inclusive por parte de cineastas. Para sucedê-lo, é nomeado o empresário Fernando Gighnone, que permanece pouco tempo no cargo. Gighnone cria a Fundação do Cinema Brasileiro e projeta a Embrafilme como distribuidora. Esta fase de transição é marcada por irregularidades, débitos contraídos pelos produtores e críticas feitas pela classe cinematográfica, sobretudo a paulista, que protesta contra a seleção das produções a serem financiadas e a falta de transparência nas arrecadações do órgão. Em 05 de novembro de 1987, o ministro Celso Furtado aprova a Lei n§ 7.624 que reestrutura a Embrafilme.No ano seguinte, Fábio Magalhães assume temporariamente o cargo de diretor-geral, com a tarefa de concretizar o processo de divisão a Embrafilme em duas empresas: Embrafilme Distribuidora e Fundação do Cinema Brasileiro - FCB. Segundo o novo estatuto social da Embrafilme Distribuidora de Filmes S/A, a empresa permanece com a função de financiar a indústria cinematográfica, além de poder participar de coproduções. Magalhães anuncia Moacir de Oliveira, cineasta e publicitário, como diretor de operações, e Attilio Guaspari, engenheiro, como diretor administrativo-financeiro da distribuidora. Com a saída de Celso Furtado do ministério, Fábio Magalhães pede demissão do cargo e a empresa passa a ser dirigida por Moacir de Oliveira. Seu mandato é caracterizado pela queda na produção de filmes, resultado da falta de verbas e da desordenada política de financiamento da Embrafilme.Durante o governo de Fernando Collor de Mello, são tomadas medidas que levam ao esvaziamento das instituições culturais. O Ministério da Cultura é rebaixado a Secretaria de Cultura e a Medida Provisória n§ 151 de 15 de março de 1990 prevê a extinção de várias instituições, incluindo a Embrafilme. A Lei n§ 8.029 e o Decreto n§ 99.226, ambos de 1990, selam a extinção da Empresa Brasileira de Filmes, e o processo de liquidação se encerra em 1993, no governo de Itamar Franco.
Histórico do arquivo:
Em 1988, com a cisão da Embrafilme S.A. foram criadas a Fundação do Cinema Brasileiro (área cultural) e a Embrafilme Distribuidora S.A. (área comercial). Parte da documentação da Embrafilme S.A., documentos da área cultural produzidos até 1988, encontra-se hoje na Funarte (ex-Instituto Brasileiro de Arte e Cultura - IBAC), bem como livros, periódicos, cartazes, fotografias, dossiês de filmes, eventos e personalidades. A documentação administrativa da Embrafilme S.A. (criada em 1969) e da Embrafilme Distribuidora (criada em 1988), quando da sua liquidação em 1992, foi depositada em um galpão alugado próximo ao Cais do Porto. Em 1993, a Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual do MinC, órgão que herdou parte das atividades desenvolvidas pela Embrafilme e Concine, resgatou os documentos e os encaminhou para sua sede para que fossem acondicionado e inventariados. Com a mudança da sede desta Secretaria para Brasília, a documentação foi enviada para o prédio do Minc, onde foi alocada, e devido a falta de recursos técnicos e humanos para o tratamento, grande parte da documentação se perdeu. Em 2001, foi criada a Agência Nacional de Cinema - Ancine, que um ano depois, recebeu a responsabilidade pela guarda do acervo, segundo o Decreto n.4.456, de 04.11.2002. A partir de então, a Ancine contratou a FINATEC, para realizar a higienização e organização dos documentos. Em 2007, foi assinado um termo de cooperação ente a Agência e a Cinemateca Brasileira, para novo tratamento e guarda do Arquivo Embrafilme e também do Arquivo Concine.
Procedência:
Depositado na Cinemateca Brasileira pela Agência Nacional do Cinema, através de Termo de Cooperação Técnica, em 2007.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
Documentos referentes às atividades-fim: Operações sociais - Fomento (propostas e contratos firmados referentes à coprodução, distribuição, comercialização e difusão de filmes, movimentação financeira de recursos liberados a projetos e controle de comercialização de filmes), Importação e exportação (de filmes e equipamentos), e Financiamento à indústria cinematográfica (compra de equipamentos). Operações Não Comerciais - Promoção de festivais e mostras, Prestação de serviços técnicos, Aprovação de projetos (de instalação, ampliação e reforma de estúdios, laboratórios e cinemas), Memória cinematográfica (processos relativos à pesquisa, prospecção, recuperação e conservação de filmes), Formação profissional, Registro (de empresas, de filmes e de contratos), Fiscalização (de salas de exibição), Programação cinematográfica (fichas de controle da programação de cinemas), Direitos autorais (registro de marcas e títulos), Controle de exibição de filmes nacionais, Inspeção, Perícia, Vistoria e Interdição.Relativo às atividades-meio, há acordos, ajustes e contratos, relatórios de atividades, normas e diretrizes, atas de reuniões de conselhos e grupos de trabalho, material de publicidade, processos e penalidades disciplinares, ações trabalhistas, ordens de serviço, inventários, orçamento e finanças, relatórios de auditoria, propostas orçamentárias, balanços, prestação de contas, ações judiciais, bem como documentos sobre a liquidação da empresa.
Incorporações:
Existe um residual de documentos sob a guarda da Ancine, que deverá ser transferido à Cinemateca.
Sistema de arranjo:
Código de Classificação, Temporalidade e Destinação de Documentos de Arquivo da Administração Pública, sugerido pelo Conselho Nacional de Arquivos.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Organização em andamento
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Plano de Classificação e Destinação

Inventário

Catálogo da série 110.1 - Propostas e contratos firmados

Catálogo da série 110.2 - Movimentação financeira

Acesso:
EMBRA



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Identificação

Referência:
BR CB EN
Denominação:
Eva Nil
Datas-Limite:
1926 a 1981
Nível de descrição:
Arquivo
Tipo de arquivo:
Pessoal
Gênero:
Textual / Iconográfico
Dimensão:
Cerca de 300 documentos

Contextualização

Produtor:
Eva Clotilda Leopolda Tonnetti Comello (1909 - 1990)
Histórico do produtor:
Atriz. Nasce no Egito em 1909 e chega ao Brasil em 1914, quando sua família se muda do Cairo para Cataguases, Minas Gerais. Na década de 1920, seu pai, Pedro Comello, abre um ateliê fotográfico, e Eva logo demonstra interesse pelo ofício, auxiliando-o nos trabalhos cotidianos do ateliê. O nome Eva Nil é uma evocação ao seu local de nascimento. Sua primeira atuação como atriz ocorre em Valadião, o cratera (1925), filme realizado por Pedro Comello e pelo jovem Humberto Mauro com uma câmera Pathé-Baby. No mesmo ano, entusiasmados com o resultado do primeiro filme, Pedro Comello e Humberto Mauro obtêm apoio do comerciante Homero Cortes Domingues para a aquisição de uma câmera profissional 35mm, com a qual realizam Os três irmãos, filme inacabado. Em 1926, fundam a empresa Phebo Sul América Film e produzem Na primavera da vida, com roteiro e direção de Humberto Mauro. Eva é escolhida para ser a protagonista da história e, graças aos artigos de Adhemar Gonzaga e Pedro Lima, projeta-se como a nova estrela do cinema nacional. Em seguida, tem início a realização de Os mistérios de São Mateus, com direção de Pedro Comello, e, paralelamente, a de Tesouro perdido, de Humberto Mauro, ambos estrelados pela atriz. A Phebo desiste de finalizar o filme dirigido por seu pai, e Eva rompe relações com Humberto Mauro. Antes de se desligar da Phebo Sul América Film, Pedro Comello auxilia na finalização de Tesouro perdido, em 1927. No mesmo ano, Eva Nil protagoniza Senhorita agora mesmo, dirigido por Comello, primeira produção da Atlas Film, empresa recém-criada por seu pai. No ano seguinte, Adhemar Gonzaga a convida para participar de Barro humano (1929), que tem a direção de produção de Pedro Lima. No final de 1929, no auge de sua carreira, Eva Nil anuncia sua decisão de abandonar o cinema, passando a se dedicar à fotografia, no ateliê de seu pai. Falece em 1990 na cidade de Cataguases.
Histórico do arquivo:
Os documentos textuais foram microfilmados na Fundação Casa de Rui Barbosa, as fotografias reproduzidas na Embrafilme e os fragmentos de filmes recuperados pela Cinemateca Brasileira, onde se encontram atualmente reunidos todos os originais que integram o arquivo. Inclui contrato de depósito Embrafilme/Cinemateca Brasileira. O acervo fotográfico foi enviado para o Laboratório Fotográfico da Cinemateca. O inventário dos documentos textuais foi elaborado por Lúcia Lobo e Vera Sommer, com a colaboração de Anita Brandão. O Inventário publicado pela Fundação do Cinema Brasileiro em 1989, encontra-se disponível na Biblioteca Paulo Emílio Salles Gomes sob o número de chamada F81nil(01)*F977i.
Procedência:
Doado pela Empresa Brasileira de Filmes - Embrafilme em 1989.

Conteúdo e Estrutura

Conteúdo:
Fotografias, correspondência com personalidades, como Pedro Lima e Adhemar Gonzaga; recortes de jornais e revistas com críticas e artigos de terceiros sobre sua carreira e sobre os filmes dos quais participa; material de divulgação de filmes; e documentos referentes ao ateliê fotográfico de Pedro Comello.
Sistema de arranjo:
Organizado nas séries Correspondência, Periódicos e Diversos: recortes de periódicos (1-6), correspondência, fotografias - originais e contatos.

Condições de acesso e uso

Grau de processamento:
Parcialmente organizado
Condições de acesso:
Mediante autorização
Condições de reprodução:
Mediante autorização
Instrumentos de pesquisa:
Inventário

Acesso:
AEN



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